Um espaço para expor meus sentimentos, minhas emoções,partilhar conhecimentos, alegrias, tristezas, para desabafar, desestressar.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
AMIGO DE VERDADE
"Amigo
de verdade segura nossa mão,
nos momentos alegres
e oferece o ombro, quando
estamos tristes.
Reconduz- nos,
quando
saímos do caminho.
Tem a palavra certa, na medida exata,
para preencher aquele vazio
do coração.
Sabe ouvir e silenciar.
Resgata-
nos!
Não impõe sua vontade.
Vê-
com olhos
nos
da alma
e nos sente
mesmo que distante".
Inês Seibert
ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU
"Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento
e o coração,
vamos!
Vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver".
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 19 de setembro de 2017
SE ME JOGAREM PEDRAS...
"Se me jogarem pedras, não devolverei flores.
Só as entrego a quem faz laços de afeto comigo,
a quem não solta minha mão, mesmo nos momentos
de dúvida e tempestade.
A quem me olha de frente e consegue me enxergar,
até quando nebulosidades insistem em turvar a visão.
Entrego as flores aos que me ouvem só pela sintonia.
E as pedras?
Me defendo delas sendo quem sou:
de verdade e protegida pelo céu".
Inês Seibert
CONSOLO NA PRAIA
"Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho".
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 17 de setembro de 2017
AUSÊNCIA
"Por muito tempo achei
que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada
nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim".
Carlos Drummond de Andrade
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